DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA A FREGUESIA DO BEATO EM LISBOA

 

Na rota que liga o Museu Nacional do Azulejo, na Penha de França, ao Hub Criativo do Beato, turistas e moradores se deparam com um cenário bastante contrastante. Enquanto a visita a espaços culturais e de inovação poderia ser o destaque do passeio, a degradação urbana, a falta de limpeza e a deterioração geral da qualidade de vida marcam o percurso, chamando atenção para questões que vão além da mera estética.

A ausência de centros culturais e desportivos – ou, na melhor das hipóteses, a existência de informações limitadas sobre esses espaços – evidencia uma falha na comunicação dos recursos disponíveis no Beato. Essa carência deixa dúvidas sobre a oferta de atividades saudáveis para os jovens da freguesia e impõe um desafio para a promoção dos pontos fortes da região.

Um exemplo que ilustra bem o cenário é o polidesportivo da Mata da Madre de Deus. Encerrado por questões de segurança, o espaço, juntamente com o quiosque adjacente, encontra-se em estado de abandono, transformando a área em um ambiente desolador e degradado.

A Câmara Municipal de Lisboa já prevê intervenções que, no futuro, podem contribuir para a revitalização dessa zona.

 

Em outubro de 2022, com a abertura do novo espaço de comércio em Xabregas intensificou a concentração de pessoas em situação de sem-abrigo, um problema que já era percebido, mas que ganhou contornos mais evidentes. O Beato é uma freguesia onde o comércio ainda é modesto e, a facilidade de acesso a compras acabou, se somando a um espaço que, infelizmente, passou a ser ponto de encontro para indivíduos em situação de vulnerabilidade. Relatos apontam para episódios de desrespeito, alcoolismo, uso de drogas e problemas de saúde mental, que frequentemente resultam em comportamentos inadequados nas ruas.

Além disso, a sensação de insegurança está presente. Assaltos, desacatos e momentos de medo já convivem com a rotina dos moradores. Embora as forças de segurança intervenham quando necessário, a ausência de uma esquadra exclusiva no Beato contribui para a perceção de fragilidade na proteção da área. Essa lacuna, somada à mudança na dinâmica comunitária – com muitos residentes e empresas demonstrando vontade de deixar a região –, intensifica o debate sobre a manutenção e o desenvolvimento urbano do bairro.

 

A exclusão social e urbana é outro desafio marcante. Episódios de uso de drogas e bullying nas imediações de escolas, aliados ao hábito de atirar lixo nas ruas, afetam a população de diversas faixas etárias, especialmente as crianças que brincam na área. Em algumas ocasiões, comportamentos agressivos têm sido dirigidos contra residências de imigrantes – pessoas que, ao buscar melhores condições de vida, vieram para Portugal e hoje enfrentam também o estigma e a violência. Todos, contudo, merecem respeito, tolerância e o cuidado com os espaços públicos.

 

A crise habitacional agrava ainda mais o cenário. Com os preços dos imóveis em alta, alugar um apartamento no Beato e em Lisboa tornou-se praticamente inviável para muitas famílias, que acabam comprometendo quase toda a sua renda com o aluguer – uma situação especialmente crítica para lares com dois ou três filhos. Apesar desses desafios, moradores e imigrantes permanecem na cidade em busca de oportunidades que permitam a continuidade dos estudos, o reconhecimento de diplomas e a entrada no mercado de trabalho, elementos fundamentais para sustentar as famílias e abrir horizontes.

Em meio a tantas dificuldades, o Beato também revela seu potencial. Na freguesia, convivem locais e imigrantes bem-educados e criativos, ativos na busca por soluções que possam melhorar a qualidade de vida. Enquanto o novo centro para emigrantes em Lisboa oferece uma porta de entrada para o apoio à regularização e à integração, defendemos que cada freguesia deveria dispor de um espaço próprio de orientação e suporte e, o Beato, deveria ser a primeira freguesia a disponibilizar.

A perspetiva de transformações significativas também ganha espaço com projetos de requalificação urbana. A nova travessia do Tejo e a futura ocupação dos terrenos da Manutenção Militar, que além de empresas como Claranet, Praça e TUMU (formação inovadora), todas as novas empresas, prometem dinamizar a oferta de emprego e incentivar o crescimento económico e cultural do Beato. Essas iniciativas poderão, em conjunto com a ação de organizações como a Associação de Moradores e Empreendedores do Beato (AMEBEATO), que atua na defesa dos interesses locais e na promoção de projetos inovadores – entre eles, a Universidade Sénior do Beato e o serviço de apoio online na entrega de IRS, contribuir para a reinvenção do Beato.

 

O futuro do Beato, portanto, dependerá de uma atuação articulada entre o poder público, a iniciativa privada e a própria comunidade. Somente assim será possível transformar os desafios atuais em oportunidades para que o Beato recupere sua vitalidade e se posicione como um espaço de convívio, inovação e respeito à diversidade.

SABER MAIS:

Agência Lusa https://www.lusa.pt/article/44887338

https://amebeato.pt/produto/donativo/

Musica 

BEATO https://www.youtube.com/watch?v=HUMUaXftmus

FADISTAS https://www.facebook.com/share/p/1ASAzLjkKz/

A Associação de Moradores e Empreendedores do Beato (AMEBEATO) convida-o a embarcar numa nova jornada de mobilidade e progresso. O nosso compromisso é representar, promover e defender os interesses dos moradores e empreendedores da freguesia, impulsionando o desenvolvimento socioeconómico, desportivo, ambiental e cultural. Junte-se a nós para transformar o Beato num espaço onde a conexão, a sustentabilidade e a cultura se encontram sobre duas rodas.

#AMEBEATO #ORIENTAL #BEATO #DONATIVO #MUSEUNACIONALDOAZULEJO #HUBCRIATIVODOBEATO #AGENCIALUSA

Fique por dentro! Subscreva a nossa newsletter

Sem spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.