AMEBEATO – NOVA RUBRICA

 

A dança é uma arte e prática ancestral. Sempre marcou a sua presença a história e nas estórias de todo o tipo de eventos humanos. Dançava-se em rituais de guerra, de cura, de passagem, casamentos, em selvas e em palácios, no salão de baile e no terreiro da aldeia.

Falo em dança englobando todas as danças, passadas e atuais, da morna de Cabo Verde ao vira do Minho, do vira à valsa austríaca, da valsa à dança contemporânea, desta ao tango argentino, do tango ao forró do Brasil, do forró ao kathak da Índia e por aí adiante.

Também estou a incluir a improvisação, as danças coreografadas e todas as outras formas de composição de peças de movimento.

Se quiséssemos dançar todas as danças que existem, precisávamos de muitas vidas sem nunca pousar o pé no chão!

Na verdade, qualquer dança é uma forma, uma estrutura de organizar e apresentar frases de movimento, muitas vezes (mas não necessariamente) acompanhadas de som ou música.

Tal como o enredo de um tapete de Arraiolos se tece ponto a ponto sobre uma tela de linho, juta ou algodão, uma dança, qualquer que ela seja, tece-se movimento a movimento. O movimento é o material da dança, do mais pequeno detalhe de dedo de uma mão no flamenco a uma cambalhota do break dance

Assim, antes de continuar a falar de dança (lá voltaremos!), aqui o meu tema é movimento, o movimento humano. Num sentido muito para além da dança. Movimentos do corpo, com tudo o que isso abarca.

Antes de cada uma e cada um de nós soltar o seu primeiro choro no mundo, a nossa primeira linguagem é apenas movimento. Movimento na barriga da mãe. Movimento num pequeno mar contido e protetor.

O nosso quotidiano está cheio de movimentos, uns conscientes, outros nem por isso. Eles podem ser pequenos, amplos, óbvios, subtis, rápidos, lentos, contínuos, súbitos… A lista é infinita. Podem ser funcionais, quando lavamos os dentes ou apertamos uma bota, podem acontecer na prática de um desporto, quando corremos para fugir da chuva ou abanamos um bebé para o adormecer (ou o nosso parceiro para o acordar!). Tudo é movimento, desde um tique ou uma tremura no lábio a um passo de tango ou um menear de anca de uma salsa cubana. De uma perna nervosa que abana debaixo da mesa, uma mão que mexe o café ou coça um braço, a um fechar os olhos quando damos uma gargalhada bem viva. Ou aquele salto espontâneo acompanhado de gritos e movimentos vigorosos de braços quando a sua equipa marca um golo decisivo. Se parar agora e observar uma pessoa ou um bicho que esteja perto de si, ou mesmo a si mesmo, o que verá é que não há nada na vida que não tenha movimento. Convido-o a fazer essa experiência, por um minuto ou uns segundos apenas. Tente observar todos os movimentos dessa pessoa ou bicho.

A linguagem do movimento, e especialmente do movimento humano, é muito imediata para nós. Captamo-la mesmo sem disso nos darmos conta. Se estivermos atentos, apercebemo-nos de dados importantes do estado emocional de outra pessoa (principalmente se a conhecermos bem) sem ela ter de dizer uma palavra. Aquele passo apressado e o olhar inquieto. Ou aquele súbito corar ou ligeiro tremer de queixo. Vemos os sinais de embaraço, choro, riso, zanga muitas vezes antes de eles se materializarem por palavras. Esta forma de ver é frequentemente inconsciente. O movimento faz parte da chamada linguagem não-verbal. E esta tem um papel enorme na comunicação humana. Este será o próximo tema que abordarei.

 

SABER MAIS:

Diana Mota estudou dança contemporânea e improvisação. Posteriormente aprofundou o seu estudo nas áreas da dança, psicoterapia, saúde mental e liderança. É professora, supervisora clínica, dança movimento psicoterapeuta e drama terapeuta em serviços de saúde mental. Orienta sessões de teatro e dança inclusiva para pessoas com perturbações de desenvolvimento intelectual.

dmt_terapia@riseup.net

https://www.apdmt.pt/about-6

https://corpocompanhia.pt/coreografos/

 

Associação de Moradores e Empreendedores do Beato (AMEBEATO)

A AMEBEATO representa, promove e defende os interesses dos moradores e empreendedores da freguesia, contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico, desportivo, ambiental e cultural. Suas áreas de intervenção, dinâmicas e diversificadas, refletem as necessidades dos nossos associados – moradores, amigos e empresas – assegurando serviços eficazes.

Junte-se a nós para transformar o Beato num espaço que une conexão, sustentabilidade e cultura.

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