CASA SEM CONTRATO DE ARRENDAMENTO, VIDA SEM PROVA

 

No Beato, como em muitas freguesias de Lisboa, pessoas vivem sem contrato de arrendamento formal. Partilham casas, alugam quartos, ocupam espaços — mas não existem nos registos fiscais. Em 2025, com o endurecimento das regras de legalização e residência, esta informalidade deixou de ser apenas um risco habitacional: poderá se tornar uma barreira à cidadania.

 

O que está a mudar?

A nova legislação migratória exige comprovativos de morada autenticados por advogado ou notário para processos de legalização, renovação de residência ou reagrupamento familiar. Uma simples declaração já não basta. Sem contrato formal, sem registo nas Finanças, sem acesso a direitos.

“Partilho casa com mais três pessoas. O senhorio não quer assinar nada.” “Vivo com uma tia, mas ela tem medo de se envolver.” “Sem contrato, sem voz. Mas continuo a procurar caminhos.”

Estes testemunhos, recolhidos, revelam uma realidade invisível: pessoas que vivem legalmente no país, mas sem prova legal de morada.

 

O que a Eurostat mede — e o que Portugal não publica

A Eurostat, organismo oficial de estatísticas da União Europeia, não mede contratos individuais de arrendamento, mas oferece indicadores que ajudam a inferir a informalidade habitacional. Em contraste, Portugal não tem disponível dados sobre:

  • Quantos contratos de arrendamento foram comunicados à Autoridade Tributária
  • Quantos novos contratos de eletricidade ou água foram celebrados sem mudança de operador
  • Quantas pessoas vivem em habitação informal ou partilhada sem contrato

 

Indicadores disponíveis (dados de 2023):

Indicador Eurostat (Portugal)

Valor em 2023

Interpretação

Taxa de sobrelotação geral

10,5%

Pode indicar partilhas informais ou quartos alugados sem contrato

Taxa de sobrelotação entre migrantes

24,6%

Sinal de vulnerabilidade habitacional e exclusão documental

Percentagem de arrendatários

24,8%

Uma das mais baixas da UE — pode esconder informalidade

Despesa com habitação >40% do rendimento

12,1%

Indica pressão financeira e possível ausência de apoios

Privação habitacional severa

5,3%

Pode refletir ocupações precárias ou não registadas

Fonte: Eurostat – EU-SILC 2023, Housing Statistics

E no Beato?

O número de contratos comunicados à Autoridade Tributária não é publicado, o que dificulta saber quantos estão formalmente registados.

O Relatório da Estratégia Local de Habitação da CML (2019–2024), têm alguma informação sobre a freguesia do Beato.

 

Contrato formal vs contrato invisível

Elemento

Contrato formal comunicado à AT

Contrato informal não comunicado

Registo nas Finanças

Dedução no IRS

Comprovativo de morada legal

Acesso ao Porta 65

Validade para AIMA

❌ (precisa de declaração extra)

Proteção legal do inquilino

 

Como pressionar por mais transparência?

Estes indicadores podem ser usados para exigir:

  • Publicação anual dos contratos de arrendamento comunicados à AT (Freguesia) por freguesia
  • Dados sobre novas ligações de eletricidade e água por tipo de contrato.Ou, outros dados estatísticos equivalentes.
  • Estatísticas sobre habitação informal e partilhada
  • Mapas municipais de sobrelotação e privação habitacional

Sem dados, não há política pública eficaz. Sem política, não há proteção. E sem proteção, a informalidade continua a apagar direitos.

 

Disclaimer

Este artigo foi elaborado com base em fontes públicas, dados estatísticos disponíveis até outubro de 2025 e testemunhos recolhidos localmente. As interpretações apresentadas visam promover o debate informado sobre habitação, informalidade e acesso a direitos na freguesia do Beato.

Os dados estatísticos foram consultados em plataformas oficiais como INE, Eurostat, CML, ERSE e EPAL. No entanto, algumas fontes não disponibilizam informação desagregada por freguesia ou por tipo de contrato, pelo que certos números são estimativas fundamentadas e não representam valores oficiais.

As opiniões e testemunhos incluídos refletem experiências individuais e não constituem afirmações universais sobre a realidade habitacional em Lisboa. O conteúdo não substitui aconselhamento jurídico, fiscal ou administrativo.

 

Associação de Moradores e Empreendedores do Beato (AMEBEATO)

A AMEBEATO representa, promove e defende os interesses dos moradores e empreendedores da freguesia, contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico, desportivo, ambiental e cultural. As nossas áreas de intervenção, dinâmicas e diversificadas, refletem as necessidades dos nossos associados — moradores, amigos e empresas — assegurando serviços eficazes e próximos.

Junte-se a nós para transformar o Beato num espaço que une conexão, sustentabilidade e cultura. Se acredita nesta missão e quer ajudar a torná-la possível, considere fazer um donativo. Cada contribuição, por pequena que seja, ajuda-nos a criar mais oportunidades, fortalecer a comunidade e dar vida a novos projetos. Donativos – AMEBEATO

#AMEBEATO #LISBOA #FINANCAS #MANIFESTACAODEINTERESSE #REAGRUPAMENTO #PORTUGAL

 

Fique por dentro! Subscreva a nossa newsletter

Sem spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.