ENTRE PORTUGAL E UCRÂNIA, A INFÂNCIA FLORESCE

 

ENTRE PORTUGAL E UCRÂNIA, A INFÂNCIA FLORESCE

Entre duas infâncias — a voz de uma mãe

Recordo-me do dia em que a minha filha entrou pela primeira vez no jardim de infância português, depois de um longo confinamento da pandemia e de um tempo de incerteza e suspensão. A creche recebeu-nos com portas fechadas para os pais, mas com corações abertos de educadores e auxiliares. Era um mundo apenas da criança e da escola, e nós, pais, podíamos apenas espreitar através das fotografias e vídeos: ver os nossos filhos risonhos ou tristes, felizes ou surpreendidos, adivinhar o que lhes ia na alma. A escola de infância acolheu-nos com sol e gargalhadas. A minha filha corria descalça pela relva, o vento agitava-lhe o cabelo, e nas mãos segurava um pincel com que desenhava um enorme sol no asfalto. A educadora não se apressava a corrigir ou a ensinar o “certo”, limitava-se a perguntar: «E que outro céu pode existir além do azul?» A minha filha, pensativa, acrescentou nuvens cor-de-rosa e estrelas verdes. Eu olhava e sentia: aqui a infância não é comprimida em moldes, aqui floresce como uma flor num campo de primavera.

Depois, regressa à memória a imagem da minha menina sentada numa pequena cadeira no jardim de infância ucraniano. Os seus dedos ainda inseguros seguravam o lápis, e a educadora, doce mas firme, dizia: «Agora vamos escrever a letra A.» A sala cheirava a tinta fresca e a plasticina, e as crianças repetiam cuidadosamente as letras, como pequenos alunos de uma grande escola. Eu olhava para a minha filha e enchia-me de orgulho: estava a crescer tão depressa. Mas ao mesmo tempo, no coração apertava-se uma ternura — não estaremos a roubar demasiado cedo o direito de simplesmente brincar?

 

Prós e contras que soam como duas melodias:

O jardim de infância ucraniano oferece conhecimento e disciplina, mas por vezes aperta a infância nas estreitas linhas de um caderno.

A escola de infância portuguesa oferece liberdade e alegria, mas por vezes falta-lhe a exigência académica que dá confiança para o futuro.

E eu, como mãe, encontro-me entre estes dois mundos. O meu coração procura o equilíbrio: que a criança possa aprender e, ao mesmo tempo, permanecer criança; que os seus olhos brilhem não apenas com respostas certas, mas também com a alegria das descobertas.

Porque a infância não é um ensaio da vida. É a sua parte mais pura, mais poética. E nós, pais, temos de a proteger, mesmo quando diferentes países oferecem caminhos distintos e cada um ensina a preservar a identidade, a tradição e o sentido de pertença.

Hoje celebramos as festas familiares e nacionais ucranianas, que se entrelaçam com as comemorações e datas memoráveis em Portugal, promovendo a integração das duas culturas e contribuindo para a educação de crianças conscientes e felizes.

 

Associação de Moradores e Empreendedores do Beato (AMEBEATO)

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